A Gruta do Paraíso

A Gruta do Paraíso O Restaurante encontra-se onde antigamente se situava a cerca Fernandina. Uma nova cerca se impunha, mandada construir por D. Fernando. Domingos. Francisco.

Fernando, em 1373, com 101 hectares de área, capaz de abranger a realidade da população da época, que contava com 65 mil habitantes. Rapidamente construída, ante ameaças de guerra com Castela, em dois anos estavam de pé os 5 400 metros de muralha e as suas 77 torres e 38 portas. A construção da “Cerca Fernandina” partiu da iniciativa das diferentes comunas e dos seus conventos, devido ao seu isola

mento geográfico e de modo a assegurar a sua protecção em consequência de algum ataque invasor. Deste modo procedeu-se à construção da cerca, por parte da população e religiosos dos conventos dos vários núcleos, sob orientação dos militares do Rei D. Por ter sido erguida por comunidades diferentes, com culturas diferentes, as características da sua edificação variam quanto aos materiais utilizados e quanto às técnicas de construção. O material usado para erguer o lanço que protegia a área muçulmana foi a taipa, enquanto que parte da cerca que se encontra no Bairro de Santana, construída por cruzados, é de blocos de pedras. A Cerca Fernandina desenhava, para nascente e poente, duas grandes bolsas irregulares, como se tratassem das abas de um “tríptico fortificado” cuja tira central estivesse representada pela Cerca Velha. O trajecto, por vezes difícil de identificar, embora a Cerca de D. Fernando seja, pelo menos dois séculos mais nova que a antiga cerca, estava traçada da seguinte forma: no lado Ocidental a cerca inseria-se na muralha do Castelo de S. Jorge, encontrava-se com a cerca do Mosteiro da Graça e descia pela encosta da Mouraria, cruzava o Martim Moniz e subia pela encosta do Monte de Santana (Bairro de Santana) e envolvia o Mosteiro de S. Descia o vale (Av. Da Liberdade) e subia ao Rossio. Subia novamente até ao antigo Largo de S. Roque, juntando-se à cerca do Convento da Trindade. Descia em direcção ao rio passando pelo Largo do Chiado e voltava em sentido nascente até se inserir na cerca do Convento de S. Perto do actual Arco Escuro, abaixo da Sé, a Cerca Nova juntava-se à Cerca Velha. Do lado Oriental, a muralha partia do Castelo de S. Jorge, descia pela encosta do Monte do Castelo, antes de subir o Monte da Graça. Descia de novo em direcção ao Tejo, tornava-se na Cerca do Mosteiro de S. Vicente de Fora, até ao largo do Museu de Artilharia, onde voltava a poente, indo ligar-se à Cerca Moura na Torre de S. Pedro, em Alfama. A nova muralha define uma cidade diferente da que ficava no interior da Cerca Moura ou Velha. Na nova Lisboa coabitam várias entidades, englobando não apenas as duas Judiarias mas também a Alfama, a Mouraria e as comunas cristãs moçárabes. O crescimento da cidade foi mais acentuado a poente que a nascente, de forma mais qualificada do ponto de vista funcional e social, surgindo como polo de concentração do comércio e indústria mais significativa, bem como os principais equipamentos públicos. A Lisboa “Fernandina” era uma cidade de produção e comércio, onde as comunas Judaicas desempenhavam um papel muito importante de controlo do sistema portuário, tornando subsidiárias outras comunas. A muralha da Cerca de D. Fernando não teve a mesma solidez da muralha Moura. E o aparecimento de novas armas de guerra e novas ideias sobre a fortificação das cidades tornou-a obsoleta e inútil para a defesa de Lisboa. E tal como sucedera com a “Cerca Moura”, a “Cerca Fernandina” perderia a sua missão defensiva. Seria arruinada em lanços e portas, ladeada e absorvida por novos edifícios e inclusivé demolida em grande parte da sua extensão. Resultado da depreciativa importância dada, ignorância ou negligência pelas autoridades responsáveis, a um marco da História de Lisboa, levou a que grande parte da muralha não fosse sujeita a considerações, originando o seu quase total desaparecimento, excepção feita a alguns pontos, dos quais uma torre que se vê do lado poente da Praça do Martim Moniz a encimar um local de construção e a um cúbiculo de vidro, que engloba um excerto do lanço Ocidental, no Espaço Chiado, em que se lê “Muralha Fernandina, MCCCLXXIII”. E neste caso, embora exista uma localização do tempo, quem nada souber da História de Portugal..., também não é aqui que ficará a saber. Esperemos que doravante, estes últimos fragmentos, como livros serenos na sua prateleira para quem os quiser contemplar, assim permaneçam: como últimos !!!

13/04/2015
Quintas, Sextas e Sábado.
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13/04/2015

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