13/06/2026
Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, a 13 de junho de 1888.
O Chiado era “a sua aldeia”. Nasceu no Largo de São Carlos, o bairro de Lisboa mais polvilhado por livrarias, alfarrabistas e cafés. O ‘tio’ de Fernando Pessoa (Henrique Rosa, irmão do padrasto do escritor), era um homem das tertúlias literárias, frequentador d’A Brasileira e terá trazido o seu sobrinho Fernando várias ao café. Nas tertúlias, um homem de cultura e literatura como Fernando Pessoa, génio em botão, mas excessivamente tímido e desajustado a contactos sociais, tinha junto de homens seus iguais intelectuais, um ambiente ideal para se mostrar fora do seu cinzentismo quase crónico. E era outro: vibrante, divertido, entusiasmado, segundo testemunho de amigos próximos.
Tornou-se presença habitual n’A Brasileira. Escolhia os recantos mais discretos, onde lia, escrevia, observava. Ali encontrou não apenas o café, mas um ponto de abrigo, de escuta e de reflexão, entre uma “bica” e dois dedos de conversa.
Fernando Pessoa, que desejava “ser tudo de todas as maneiras”, tem n’A Brasileira, os seus óculos expostos e no Museu do Pão a sua escrivaninha, adquiridos à família do poeta. Um tributo contínuo ao génio que, ao partir, deixou como última frase, escrita a lápis, em inglês, no topo de uma folha de papel: “I know not what tomorrow will bring” (“Não sei o que o amanhã trará”)...