04/07/2023
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UM GRANDE VITORIANO PROVENIENTE DA GUINÉ
" - Nós andávamos quase sempre todos juntos, o nosso local de concentração era a Pastelaria Ribela (..) Depois de estarmos todos juntos na Ribela iamos para o treino. Nesse tempo havia mais comunicação, ou mesmo talvez mais amizade com os colegas (...) Hoje só brincam no balneário, penso que hoje eles não têm aquela convivência que tínhamos antigamente."
Um homem inesquecível que entrou na memória de todos os vitorianos, pese embora ter prometido muito mais do que cumpriu.
Porém, António Manafá, desde que chegou a Guimarães em 1966 até à sua precoce morte em 2007, foi um verdadeiro apaixonado pelo clube do Rei. Terá, contudo, tido sempre um caminho pleno de escolhos, de dificuldades.
Chegado da sua Guiné natal, pela sua juventude e por algumas lesões teve dificuldades em afirmar-se. No ano de 1969, quando todos pensavam que aquele poderia ser o seu ano, foi chamado para cumprir o serviço militar em Moçambique, o fez com que actuasse por duas temporadas no Sporting de Nampula.
Regressou a Guimarães em Dezembro de 1971, sendo que, como o próprio narrou no jornal do clube, a 13 de Dezembro de 2000, "Voltei, ainda me recordo, em Dezembro de 1971 e na semana seguinte fomos jogar ao Tirsense e, além de só ter treinador meia dúzia de dias, fui convocado. Não entrei logo de início, mas joguei. Ganhamos por 7-1." Importará corrigir Manafá para dizer que o jogo disputou-se em casa do Vitória, num dia marcado pelo "poker" do goleador Tito.
Manafá continuou a sua carreira no Vitória Sport Clube até ao final da temporada de 1973/74, com realce para neste período ter recuado no terreno, deixando de ser avançado para tornar-se em defesa central.
Depois de passar por vários emblemas, tendo acabado a carreira em 1983/84 no Moreirense, regressou aos seu país. Porém, o fascínio pela Cidade Berço fê-lo regressar e entrar nos quadros do Vitória.
Nos Conquistadores, até à sua morte, foi um pouco de tudo. Sempre com o sorriso de simplicidade que o definia, foi técnico na formação, detector de talentos e funcionário no departamento de futebol profissional do clube, nomeadamente como técnico de equipamentos. Até ao seu adeus do mundo terreno, foi, acima de tudo, um grande vitoriano!