11/11/2020
São ovelhas mas podiam ser bodes. Porque é assim que nos sentimos: o bode expiatório no meio desta m***a toda. Nós que nos enchemos de álcool-gel, que desinfectamos toda e qualquer superfície antes de um cliente se sentar às nossas mesas e depois de sair, que higienizamos casas-de-banho, balcões, maçanetas e o que mais houver, que aumentámos a distância entre mesas e sacrificámos metade dos lugares em nossas casas, que vestimos as nossas equipas com máscaras, comprámos termómetros e implementámos um conjunto de regras mais adequadas a um hospital que propriamente ao sector da hospitalidade. E pergunto: quem faz este papel nos transportes públicos que seguem à pinha em hora de ponta? Nos comboios, no metro, nos autocarros? Quem faz este papel nos supermercados? Alguém? Eu nunca vi, confesso. Mas claro, a restauração que aguente. A restauração que cale. A restauração que feche. Em direcção ao precipício, a acenar-nos com falsas medidas e a esperar que nós, as ovelhas, sigamos em linha recta e em silêncio. Fo***se.
(Arte do Hugo Makarov)