06/10/2026
Não foi preciso dizer-lhe para comer legumes.
As crianças não escolhem aquilo que comem apenas porque lhes explicamos que lhes faz bem.
Há muito de instintivo na forma como nos relacionamos com os alimentos.
Perante aquilo que não conhecemos, alguma desconfiança é natural. Faz parte da nossa história evolutiva.
A familiaridade constrói-se.
Ver. Tocar. Colher. Cheirar. Confiar. Provar.
Por isso, uma horta deveria ser também um lugar de educação alimentar.
Aqui, um pepino não aparece pela primeira vez cortado num prato.
Antes disso teve uma planta, cresceu, foi tocado e colhido. Foi descoberto!
Quando finalmente chega à boca, já não é desconhecido.
Ensinar uma criança a comer talvez deva começar antes de lhe dizer o que deve comer.
Talvez comece por lhe permitir descobrir o mundo de onde vêm os alimentos.
Deixar os sentidos fazerem o seu trabalho. Como sempre fizeram.
Isso vai fazer a diferença. Muita.