28/07/2025
Para onde quer que leve o Tasco da Ilda, Azambuja estará sempre no meu coração.
Deixo-vos o texto que li na homenagem.
"Nasci e fui criada num ambiente profundamente ligado à tradição gastronómica portuguesa.
Encontrei desde muito cedo na cozinha um espaço de expressão pessoal, cultural e emocional. Sou e serei sempre filha de uma mulher com grande sensibilidade culinária, cresci entre tachos, aromas e histórias passadas à mesa — um legado familiar que vim a moldar, de forma determinante, o meu percurso de vida.
A paixão pela cozinha tradicional portuguesa consolidou-se na minha juventude, não por imposição, mas por vocação. Sem ter uma formação académica superior convencional em gastronomia, fiz do saber empírico, da aprendizagem com os mais velhos e da observação atenta dos rituais culinários familiares a base do meu conhecimento. Esta abordagem intuitiva, sensível e profundamente enraizada na tradição foi, desde sempre, a minha principal força motriz. trabalhei em várias cozinhas locais e regionais, absorvendo o saber-fazer de diferentes regiões de Portugal. Ao longo de duas décadas, construi lentamente o meu nome enquanto cozinheira. Fui sendo conhecida pela autenticidade dos sabores, o respeito absoluto pelos produtos e a atenção ao detalhe. O meu trabalho começou a atrair um público fiel que reconhecia, nos meus pratos, a memória da cozinha portuguesa feita com verdade e alma. Há histórias que se escrevem com dedicação, temperadas com esforço diário e com o amor de uma vida inteira. A minha história é uma dessas.
Há 22 anos que entrego o meu talento e alma à valorização da gastronomia portuguesa. Em 23 de setembro de 2021, atingi o ponto mais alto, no coração deste percurso, o Tasco da Ilda em Azambuja, espaço que rapidamente se transformou num ponto de referência para todos os que procuram a essência da boa comida portuguesa. Mais do que um restaurante, o Tasco da Ilda é um lugar de afetos, onde se cozinham emoções e se servem recordações. É reconhecido e elogiado por visitantes de múltiplas geografias — como bem o demonstram as centenas de críticas positivas no TripAdvisor e no Google — este projeto é reflexo do empenho e da alma que coloco em cada prato.
Não procuro distinções nem apoios. O que peço, com muita humildade e determinação, é reconhecimento pelo que significa manter um negócio aberto, todos os dias, com consistência, honestidade e entrega total. São 18 horas por dia a fazer os outros felizes, muitas vezes à custa da vida pessoal, com sacrifícios silenciosos que não aparecem nas fotografias ou nos prémios, mas que sustentam a verdadeira grandeza da nossa missão enquanto cozinheiras. Este evento, inserido nas comemorações dos 25 anos da elevação da gastronomia a Património Cultural e Imaterial de Portugal, é para mim mais do que uma distinção: é um sinal de que tem valido a pena. É também uma oportunidade para agradecer — à família, aos clientes, aos amigos, e a todos os que diariamente cruzam as portas do Tasco da Ilda e ali encontram mais do que uma refeição: encontram conforto, memória e verdade. “Somos cozinheiras de alma inteira” e este evento é um capítulo especial que me diz que estou a fazer o correto. Precisamos de todos vocês, especialmente os que me acompanham todos os dias. Obrigada do fundo do coração.”