14/05/2026
Hoje é dia 14 de maio, o dia mais longo de nossa história, o dia que em liberdade, os negros não tinham mais trabalho, nem moradia, nem alimento, nem família.
Esse dia começa em 1888 e perdura até hoje, nas favelas, comunidades, palafitas e bairros periféricos; nas escolas publicas, universidades, hospitais, delegacias, presídios, nas estatisticas de mortes, no abandono e invisibilidade, nas igrejas, no subemprego, nas ruas, em todos os cantos de abandono seguimos o mesmo dia.
Nada e ninguém tem o poder de transformar esse fim do dia 14 de maio, enquanto não houver o entendimento de que somos um povo e que não fomos degredados após surgir num negreiro trágico, enquanto não aprendermos na escola que fomos raptados como coisas roubadas de uma terra milenar com uma história, cultura e civilização, enquanto não formos enxergados e vistos como pessoas pelo poder público e a sociedade como construtores desse país tanto ou mais que imigrantes e aviltados de forma degradante e destruidora nos nossos direitos, enquanto a liberdade não chegar de forma plena garantindo possibilidades humanas e iguais de trabalho, formação, desenvolvimento, não chegará ao fim esse 14 de maio.
O dia sem fim que o racismo busca esconder com intolerância, descaso, genocídio cultural e físico, invisibilidade e depreciação de conceitos e depredação de bens materiais e imateriais legados de nossa história e antepassados.
14 de maio de 2026 poderíamos estar comemorando o fim da hipocrisia em dizer: "Somos livres e iguais".
Que ao menos possamos iniciar o sonho de exterminar esse longo dia e deixar de apagar a memória ancestral e destruir nosso futuro com o genocídio de nossa juventude preta que a cada prolongamento desse dia se tornam vítimas da liberdade de não existirem e não serem possíveis.