09/05/2012
O que não falta por aí é cachoeirense desgarrado. Chuta-se uma moita e saltam três cachoeirenses. Dobra-se uma esquina e se dá de cara com um cachoeirense. Se proliferando mais que caturrita em lavoura de milho, essa gente tenta se misturar como pode, querendo fingir-se de local, mas não adianta. Não há maneira de parecer-se oriundo de uma metrópole. Como se fosse um plano para dominar o mundo, sempre haverá um cachoeirense para reconhecê-lo, vir em sua direção e, diante de seus amigos da cidade grande, abraçá-lo como se fossem velhos amigos.
E provavelmente essa pessoa jamais lhe dirigiu a palavra quando ambos moravam em Cachoeira. Não há enriquecimento cultural, profissional ou financeiro que esconda o cachoeirense que há por trás de todo cachoeirense. É como se, ao nascer, o médico tatuasse a procedência na testa do querido. O jeito é aceitar o karma e tentar tirar proveito disso. Fazer o quê, né?
Autor do texto: Auber