09/08/2017
O Cozinha de Bistrô é um projeto familiar que teve início em 1986, com o “Bistrô Malibú”, fundado pelo francês Jean Jacques e sua companheira, a paraense, Rita Moraes. O casal iniciou com um estabelecimento pequeno de cinco mesas, porém, alguns toques especiais já tornavam aquele lugar um autêntico Bistrô. O restaurante era a extensão da casa familiar e oferecia diariamente receitas clássicas francesas vendidas a preços amigáveis, música boa, principalmente jazz, blues e música brasileira, dentro de um espaço intimista que com o passar dos anos foi ganhando detalhes especiais sem perder a simplicidade do Bistrô. Depois do "Bistrô Malibú", na Ó de Almeida, passaram para a rua Silva Santos, com o "Chez Jacques". Nessa altura da vida já haviam nascido seus três filhos, Laurent, Clarisse e Charles, e era bem comum aos clientes/amigos a cena das crianças passeando pelo salão, envolvidas na atmosfera dos aromas, do jazz e das conversas amistosas que pairavam nos ares do Bistrô.
Com o falecimento de Jean Jacques, no ano 2000, Rita seguiu o barco em novo endereço, sempre no bairro da Campina, centro de Belém. O "Bistrô da Rita" teve sua temporada marcada pelo seu grande esforço em continuar o restaurante sozinha, em plena fase adolescente dos três filhos, porém, Rita conquistou um público fiel com sua espontaneidade e atitude de mulher guerreira que muitos conhecem.
As crianças tornaram-se adultos, o primogênito, Laurent, se formou em gastronomia pelo Instituto de Gastronomia Argentino (IAG) e fez uma linda temporada no então novo “Cozinha de Bistrô”, nome que se firmou até hoje. A segunda filha, Clarisse, jornalista e ilustradora, sempre cuidou de cada detalhe nas edições dos cardápios, sendo alguns desenhados a mão, passou a organizar exposições no espaço que transbordou o seguimento gastronômico tornando-se também um espaço cultural, com mostras de obras de arte, fotografia e música. Em maio de 2016, Rita Moraes foi morar um ano na França com os dois filhos, Laurent e Charles, atuais residentes do país de origem do pai, Jean Jacques. Desde então, o comando foi assumido por sua filha Clarisse, que teve o “Cozinha de Bistrô” como objeto de estudo em sua tese de fim de curso na Universidade da Amazônia, e a cada semestre inaugura uma nova temporada com receitas especiais e exposições de diversas modalidades artísticas contempladoras dos mais variados artistas locais.
Trinta anos se passaram e o Bistrô continua sendo um espaço de administração rotativa (trata-se de uma família meio nômade, então, quem está na casa, "dirige o barco"), um lugar intimista e cativador de clientes que facilmente tornam-se amigos, que preza pela consciência de que o trabalho é uma extensão da vida e ocupa uma fatia relevante da sua totalidade, portanto, incentiva a liberdade criativa, o atendimento informal e, de preferência, trabalha ao som de boa música. Ou seja, a melhor definição para o Bistrô se dá a partir do transborde de um simples restaurante que passou a funcionar como espaço cultural e agora já incorpora uma filosofia de vida.
Muito obrigada por fazer parte dessa história!
Cozinha de Bistrô, amor a boa comida e ao bom viver.